Tenho poucas e não muito boas lembranças da aula de educação artística na minha infância. Eu, uma arte-educadora. Sempre fui das artes do corpo, e não me sentia à vontade nas artes visuais. Até que comecei a trabalhar com crianças e me vi obrigada a aprender e me conhecer nessa linguagem.
Minhas recordações das aulas de arte se definem em cópias e em "bonito ou feio", nada assim muito libertador. Quando me tornei professora de artes logo me veio à mente: mas eu não sei desenhar! Como se aula de arte fosse apenas isso...
Foi quando conheci Reggio Emília e a função do atelierista. Isso foi este ano, logo no início, quando iria começar a ser a professora de artes na escola infantil onde dou aula de teatro. Ali eu entendi tudo!
Perdoem-me os especialistas em Reggio, mas não tenho mesmo muita experiência nessa didática. Mas pude refletir como ser uma "atelierista" dentro de escolas e contextos que provavelmente nunca ouviram falar em Malaguzzi.
Na minha pouca experiência, o que pude notar? Como é gostoso fazer arte quando se tem autonomia! Sim! Quando se sabe e se pode escolher os materiais que vai utilizar; ou quando você já tem uma proposta de material, mas consegue visualizar o que vai fazer com eles; isso é autonomia. E ela só chega quando nos sentimos confiantes!
Em janeiro deste ano, quando fiz um curso sobre Atelieristas no Ateliê Carambola, aqui em São Paulo, pude perceber que se eu levasse este pensamento de respeito às decisões de meus alunos, e pudesse trabalhar com eles o conhecimento do material que será usado, estaria dando forma à esta tal de autonomia.
Já durante esta quarentena, ao conhecer a teoria do respeito de Emmi Pikler em curso com Carmen Orofino, pude perceber o quanto desconfiamos da capacidade de nossas crianças, evitando que elas aprendam através de sua própria experiência.
Dando aulas online e vendo-os produzir, me dá total sentido à essa liberdade de escolha. O aluno que tem uma certa autonomia e confiança o suficiente para começar a trabalhar o material que está à sua frente pouco depende da professora e dos pais. Sabe manusear, sabe não fazer tanto aquela "bagunça" e sabe cuidar do material.
Que orgulhosa fiquei ao ver meus alunos de 4 e 5 anos conseguindo produzir sua tinta artesanal no modo Ana Maria Braga! Eles já tinham domínio e confiança!
Nós professores e vocês pais (não sou mãe ainda), devemos confiar que a criança é capaz sim de aprender observando e fazendo! E muitas vezes sendo observada de longe.
"Ah, mas não vai ficar perfeito!"
Tem que ficar? O que é mais importante no aprendizado? O processo ou o resultado?
Minha Baiana Tetê, feita de meia!
Se quiser saber como foi feita, acesse o link:

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