Lembro de mim criança, com 5 anos, liderando uma brincadeira que batizei de "Teatrinho" com minha irmã Luiza e minha prima de Brasília, Déborah. As férias de verão eram as que as 03 primas se juntavam na casa da vó Inêz para brincar. E eu aproveitava.
Sempre fui uma criança muito sonhadora e aérea (pisciana), e o momento que eu dominava era essa brincadeira (cá entre nós, nunca terei explicação de como consegui fazer minhã e minha prima me obedecerem nesse momento).
Mas... o que era brincar de "teatrinho"? Eu criava histórias, dirigia a cena, e sempre apresentávamos para a plateia de nossos pais, tios, avós, e qualquer outra pessoa que estivesse nos visitando. Tenho grandes memórias desse momento. Me perdoem, Lu e Dé, caso vocês tenham ficado traumatizadas!
Acontece que eu cresci e virei atriz. Sim, minha brincadeira virou minha profissão. (dizem que para descobrir o que a criança será quando crescer, basta ver o que ela mais gosta de brincar. Comigo, essa teoria funciona!).
Além do "teatrinho", eu sempre fui muito musical. Quando criança você tinha aqueles CDs com histórias gravadas? Eu tinha, também na casa da vó Inêz... mas não vou tirar o mérito dos meus pais, pois também tinha o CD da "Casa de Brinquedos". Existe uma gravação minha, eu devia ter uns 3 anos, ouvindo a música do "Caderno" e interpretando a letra, dançando. Lembro também de muitos momentos em que ouvia a música e interpretava, como se fosse a personagem em seu videoclipe. Hoje, não consigo criar cenas sem ouvir antes alguma música. Ela para mim é uma grande forma narrativa e criativa, que liberta nossos sentidos.
O interessante é que na cultura popular brasileira os brincantes não costumam dissociar as artes "isto é teatro, isto é dança, isto é música". Isto é o brinquedo, e o brinquedo é tudo isto.
Mas onde quero chegar com essa história?
Temos o costume de não compreender a importância do brincar da criança e do adulto. Na sociedade eurocêntrica, onde o capital e a força de trabalho dominaram nosso modo de agir e nos transformaram e grandes produtores de alguma coisa que não conseguiremos comprar, o brincar é sinônimo de vagabundear, está brincando, não está fazendo nada. MENTIRA! Quando brincamos conectamos todo o nosso corpo em atenção aquilo que estamos fazendo. Estamos em processo de total concentração, entregues aquele momento tão precioso.
Quando brincamos, nos desgarramos de soluções obvias impostas pela sociedade contemporânea e recriamos uma realidade. Realidade esta que pode se tornar uma solução para um problema real. Brincar é, além de meditativo, revolucionário.
A foto abaixo é de uma festa junina da escola infantil. Lembro da música até hoje! "Quando eu pego o meu cavalo de jogo o laço..."
Para saber mais a minha visão sobre o brincar, assista o vídeo abaixo: Semana do Brincar

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